Crítica: Mapas Para As Estrelas


Por Fabricio Duque

O que David Cronenberg fez com Julianne Moore em seu mais recente “Mapas Para As Estrelas”, tradução literal de “Maps To The stars”, é exatamente igual o que Woody Allen fez com Cate Blanchett em "Blue Jasmine". Julianne está insanamente maravilhosa e sem limites. Parecendo uma Lindsan Lohan louca, excêntrica, fútil, maldosa, sem pudores e incrivelmente sexual (incluindo sexo anal). Não é toda atriz que se permite interpretar um papel defecando (em cena). Literalmente. E continuar a carga emocional de sua personagem. Não se percebe nenhuma derrapada interpretativa. Oscar certeiro e inquestionável. Cronenberg tem controle total de seu roteiro e de seus atores, extraindo uma extrema realidade sem ser realista demais. Um gênio. Ele conseguiu traduzir bastidores de Hollywood, o que Paul Schrader não conseguiu em "The Canyons". A atmosfera “noir” faz com que o espectador lembre o “xará” David Lynch e seu “Cidade dos Sonhos”, por insinuar sonhos, “Dalai Lama”, “segredos da alma” por terapias de um guru espiritual, nudez, vazios, glamour, duplas personalidades, projeções vingativas e de acertos de contas, loucuras, psicotrópicos, medos “disfarçados”, imaginações excêntricas, escolhas mimadas (oito mil dólares em Valentinos) e dúvidas (de papéis) crivelmente possíveis, tudo com naturalidade nostálgica de um tédio atemporal (de costume ao estilo de vida), com segredos de família que podem prejudicar (alterando o “acaso” do roteiro) e com crianças que crescem “trabalhando” na fama. Um dia da caça, outro do caçador. Aqui, Robert Pattison “perde” o status e se torna um motorista de limousine. Cronenberg sempre realizando suas picardias sobre a maquinaria de Hollywood. “Liberdade é morte”, finaliza-se.