Artigo: Um Balanço de Três Anos do Vertentes do Cinema


O Vertentes do Cinema nasceu no dia 17 de setembro de 2009, às vésperas do Festival do Rio, maratona cinematográfica obrigatória ao apreciador da sétima arte. O site fará três anos de existência na próxima segunda-feira, e divide com os leitores uma autoanálise, fazendo um balanço do que já aconteceu e traçando metas e projeções ao próximo ano. Esta “terapia” cognitiva simboliza uma possível transformação e ou corrobora o caminho percorrido até o exato momento. Assim como no gênero administrativo, o período constitui-se de uma tempestade de ideias, que é primordial e necessária ao entendimento do nosso público alvo. O que se publica aqui é, única e exclusivamente, voltado à sétima arte, fornecendo opiniões analíticas de filmes, e tudo o mais que envolve este universo, por exemplo, coletivas de imprensa, entrevistas, mostras, festivais, e tantos outros.

O Vertentes do Cinema, basicamente é feito a uma só mão, com colaboradores eventuais (que estão aos poucos se tornando mais presentes), com parcerias dos queridos assessores de imprensa, amigos cinéfilos (e críticos de cinema também). É de se esperar que alguns momentos, devido à quantidade de filmes diversificados, tanto comerciais, quanto independentes, e da necessidade de um tempo maior, apresentem-se confusos.

A confusão citada anteriormente é despertada pelo propósito e pela linha editorial. A base precisa estar resolvida e sem arranhões. O Vertentes do Cinema sempre escolheu conteúdo à quantidade, escrevendo resenhas que indicassem argumentos, subjetivos lógico, mas condizentes e não pejorativos, buscando mitigar ao máximo a prepotência literária. Por isso, os textos são longos, pensados, analisados e pesquisados a fundo (a fim de fornecer veracidade). Não é fácil traçar linhas sobre um filme, que dependendo, pode abordar política, economia, filosofia, religião, antropologia, psicologia, usando e abusando do chamado “conhecimento de mundo”, que este sim, vem com o tempo.

Dizem por aí que nada que acontece na vida é por acaso. Não mesmo. A mostra James Dean, Eternamente Jovem, no CCBB, veio atestar, categoricamente, isto, em especial ao encontro sobre o mito. A mesa envolveu o curador da mostra Mario Abbade, o psicanalista (e antropólogo) Jurandir Freire Costa e o advogado (e crítico de cinema) Filippo Pitanga. O debate significou uma aula de comportamentos sociais e de cinema. É inegável a perspicácia e a inteligência dos participantes extremos. Mas o mérito – desculpe-me os outros – é do convidado do meio. Neste instante, o Vertentes do Cinema teve a possibilidade de realizar uma terapia gratuita na raiz da existência.

Jurandir abordou a essência do ser, algo como “os quinze minutos de fama” e explanou, cirurgicamente, sobre mitos e celebridades, o que fica e o que se esvai. “O mito, para existir, precisa do personagem, da pessoa e do fã”, diz e continua filosofando sobre quem “vai ao panteão e quem vai para o ostracismo”. Segundo o psicanalista, “mitos foram feitos para durar” e “não eram descartáveis”. Funcionavam como um universo de cultura, de valorização da arte. “Hoje há a época de celebridades”, que gera o instantâneo, o aqui e o agora. Não existe mais tempo de construção, de aprofundar sentimentos. Assim as interpretações nascem de um rosto bonito e um físico atlético, apenas. A imagem tornou-se mais importante que o conteúdo. Os mitos de antigamente representam nos dias atuais uma herança cultural, que precisa ser transmitida a outras gerações que não possuem o mencionado conhecimento. “Valor (da ética) que a cultura da celebridade não conhece, porque esta cultura não conhece valor”, diz. Então, o propósito de um especialista de cinema é a informação sobre o passado cinematográfico. O futuro acontece por causa da conservação de um presente, e a consequência deste último se faz no passado. Obrigado Jurandir por confirmar o propósito e o real objetivo do Vertentes do Cinema.

Em hipótese nenhuma, farpas são atiradas a esmo, até porque temos a crença de que qualquer filme, por pior que seja, tem o seu valor. E partindo dessa premissa, analisamos com o coração aberto qualquer exemplar cinematográfico.

Então, por tudo que já foi questionado, não buscaremos a fórmula instantânea, como escrever opiniões curtas e desprovidas de embasamentos técnicos e narrativos. Nós, do Vertentes do Cinema, optamos por realizar um trabalho documental sobre o cinema e suas vertentes. Os textos continuarão sendo resenhas analíticas, pois acreditamos na melhor forma de transmitir nossas percepções, e claro, com argumentos condizentes e verdadeiros. Não queremos soar pretensiosos e muito menos arrogantes. Nós nos comportamos apenas como ideias, que são estudadas, que vão atrás das novidades e que lutam, arduamente, para que a luz cinematográfica continue ligada. Não criticamos o cinema comercial, mas preferimos seguir adiante “mergulhando” no universo independente.

E numa conclusão final podemos dizer que realizamos um árduo trabalho, desprovido, ainda, financeiramente, pela simples paixão que possuímos pela sétima arte. Um amor incondicional que encontra na tela do cinema a sua moradia, a satisfação pessoal (e intelectual) e a realização plena da própria existência. Não, não somos uma seita, o que foi dito neste parágrafo pode ter soado assim, mas não. Somos incrivelmente loucos, isso sim, no melhor conceito da palavra, pela possibilidade transformadora e autoterapêutica que a sala escura nos proporciona. São estes sentimentos e essas sinergias que batalhamos cada dia a fim da perfeita tradução ao leitor deste espaço e ao novo integrado. Obrigado a todos vocês pelo carinho, compreensão, visitas, trocas de informação e presença! Continuem nos prestigiando e nos dando forças para que possamos continuar a batalha.

Veja a Comemoração de 02 Anos do Vertentes do Cinema