ContraCorrente

Ficha Técnica

Direção: Javier Fuentes-León
Roteiro: Javier Fuentes-León
Elenco: Tatiana Astengo, Manolo Cardona, Cristian Mercado
Fotografia: Mauricio Vidal
Música: Selma Mutal Vermeulen
Direção de arte: Diana Trujillo
Edição: Roberto Benavides
Produção: Javier Fuentes-León e Rodrigo Guerrero
Distribuidora: Alberto Bitelli International Films
Estúdio: Elcalvo Films, Dynamo Producciones, La Cinéfacture, Neue Cameo Film
Duração: 100 minutos
País: Peru, Colômbia, França, Alemanha
Ano: 2009
COTAÇÃO: REGULAR



A opinião

“Contracorrente” aborda o tema da homossexualidade entre “machos” (usam barba e não são depilados) por meio de metáforas e objetiva mostrar a vida de homens normais, não caricatos ao universo gay, que sentem atração um pelo outro, mas que fornecem “força” à sociedade. Miguel (Cristian Mercado) é um pescador (meio estrábico) respeitado na vila onde mora e trabalha. Casado com Mariela (Tatiana Astengo), os dois estão prestes a ganhar o primeiro filho, mas ele vive um romance com Santiago (Manolo Cardona), artista chamado pelos moradores de Príncipe Encantado. O tempo passa, a hora da verdade está chegando e Mariela começa a questionar Miguel, que precisará decidir sobre sua sexualidade. Os simbolismos de conflito estão presentes e são recorrentes. A religião católica, o olhar julgador do outro, as limitações da percepção – e aceitação, o casamento, o filho, o questionamento da condição atual, um forasteiro que não pertence ao lugar e o futebol versus a novela.

Tudo direciona à prisão introspectiva. Miguel é o “presidente” da Comunidade a qual vive e preza pela moral e pelos bons costumes. Ele não enfrenta essas regras, assim violenta o seu querer e sofre as consequências. A narrativa comporta-se como novela. O gênero opta por ações e interpretações teatrais (artificiais, sem o aprofundamento necessário). É inevitável não referenciar a “Dona Flor e seus dois maridos”, com Sonia Braga e José Wilker, mas com conotação homossexual. A escolha da forma de se contar a história prejudica o seu contexto, o tornando óbvio, clichê e de efeito melodramático. É amador por permanecer no básico, sem acrescentar nada de novo. Em uma cena, a novela brasileira “Direito de Amar” é reprisada na televisão, desejando transmitir atemporalidade. Santiago morre e torna-se um fantasma, só visto por Miguel. Um espírito bem safadinho, já que o sexo está sempre presente.

É aí que o simbolismo ganha um tom diferenciado. O espectador poderá interpretar de muitas maneiras. O espectro é o desejo de Miguel. Estar com o seu amante sem ser alvo das críticas julgadoras dos moradores de seu vilarejo. Assim, Santiago fica e divide a libertação de seu amado. O quadro, a camera fotográfica, a vela presenteada, tudo necessita não existir por medo da desconfiança alheia. Aos poucos, o pescador aceita a sua condição, e a morte do outro significa quebrar as suas amarras. “O corpo precisa ser oferecido ao mar”, diz-se. É um filme novela com altos e baixos. O não equilíbrio deixa em quem está fora do “vilarejo” – e dentro do cinema – a percepção de ingenuidade cinematográfica. Concluindo, um filme regular que desperta sutis questionamentos sobre o tema apresentado, mas que não são suficientes à sustentação do contexto finalizado. O título já recebeu mais de 30 prêmios em festivais de cinema pelo mundo, a maioria por voto do público, como nos festivais de Sundance e Miami.



O Diretor

“Tem sido uma alegria ver que o filme está sendo bem aceito pelo mundo e que também já agradou o público brasileiro. Raramente uma produção peruana tem o prazer de ser lançada no Brasil, e estou orgulhoso que isso seja possível no meu primeiro trabalho”.